Jovem se despede de sua cadelinha idosa que faleceu após 20 anos do lado dela

A estudante de Medicina Veterinária Jéssica Allencar, de Muzambinho (MG), compartilhou um relato tocante onde aborda a perda de sua amada cadela de estimação, Jyulli, que literalmente cresceu ao lado dela ao longo dos 20 anos em que estiveram juntas.

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“[No dia 17 de outubro] Jyulli se foi. E eu renasci”, escreveu Jéssica em um post compartilhado no Facebook.

Como uma verdadeira guerreira, a cachorrinha lutou bravamente – e venceu – um câncer de mama e uma pancreatite, mas aos 20 anos, com a saúde bastante debilitada, ela sucumbiu à idade.

“[Naquela] semana te peguei no colo e senti que você tinha cumprido sua missão na minha vida: conseguiu me fazer persistir a ser Médica Veterinária! Quase desisti do curso diversas vezes por depressão, ansiedade, os dois misturados”, desabafou Jéssica.

“Te vi quase morrer com câncer de mama, com pancreatite, e também te vi sobreviver à isso tudo, em meio ao desespero de estudar seu caso e ter o discernimento se você estava sendo tratada corretamente ou não”, continuou.

À medida que envelhecia, Jyulli ficou cega com úlcera de córnea. Para dar apoio à cadela, Jéssica tocava violão pra ela e colocava os Beatles para a pequena escutar durante o dia e sons da natureza para ela dormir à noite. “Ela odiava gaita ou o toque da flauta”, relembra a dona.

Em seus últimos dias, a cachorrinha também ficou paraplégica. Jéssica conta que chorava muito porque não podia mais ver sua filha correndo, passeando ou pegando sua cenourinha de pelúcia.

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“Lembro também te ver no meio da madrugada, do nada, ficar totalmente em pé e balançar o rabo pra mim, depois de algumas sessões de acupuntura, como se tivesse dizendo ‘olha mãe, voltei a andar’! Costumava dizer que quando você morresse, um pedaço da minha alma iria morrer junto, porque não me lembro da minha vida sem você”, escreveu a mamãe amorosa.

Jyulli e Jéssica cresceram juntas, desde que a estudante era criança e a cachorra, uma filhote. “Você era minha melhor amiga na infância: brincávamos de pique-esconde, você amava correr na horta atrás das pombinhas, lembra? Mas na verdade hoje sinto que foi ao contrário: minha alma não morreu. A partir de você, eu renasci como pessoa, como profissional, como ser humano!”, disse Jéssica.

“Ontem [17 de outubro] o linfoma tomou conta do seu corpinho aqui na terra, mas nossas almas sempre estarão ligadas, sinto que na barriga da sua mamãe, você já estava destinada a ser minha! Eu sempre te dizia isso, explicando que você não nasceu da minha barriga e sim de outra mamãe! Desde o dia que te peguei no colo pela primeira vez, nossa história já estava traçada!”, continuou.

Para a estudante, Jyulli foi um instrumento divino na vida dela e seu maior ato de desapego em nome do amor, porque ela só partiu quando o coração da jovem assim permitiu que fosse.

Sobre os restos da cachorrinha foi plantado um ipê branco, que florescerá gloriosamente com o passar dos anos. “[Plantei] porque somos feitos da mesma matéria da terra, das árvores, das estrelas! […]”, explicou Jéssica.

“Hoje meu amor, a casa está vazia e meu coração deslocado… fico andando de um lado pro outro na casa procurando você como eu procurava quando brincávamos de pique-esconde, e meu coração dói por não ver sua presença física, por não te achar… mas minha existência até o fim dos tempos está cheia, cheia de gratidão, de fé, de vontade de salvar vidas”, afirmou a dona de Jyulli.

Inspirada pela cadela, Jéssica espera concluir o curso de Medicina Veterinária para ajudar outros animais de estimação, que, como Jyulli, precisam de apoio e amor enquanto passam por momentos atribulados.